Embora o Brasil passe por um momento de recessão e crise econômica, com expectativa de 10% na taxa de desemprego, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a indústria do chocolate tem expectativas positivas para o período de Páscoa. De acordo com a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), a contratação de temporários para a época é 10% maior que a do ano passado. O cenário de crescimento é confirmado por grandes marcas de chocolates.

A Cacau Show, por exemplo, contratou - somente em 2016 - seis mil temporários, dois mil e quinhentos a mais que no ano passado. "A produção de chocolate também é superior – 7,9 mil toneladas do produto frente às 7,7 mil toneladas de 2015", afirma a companhia.

De acordo com Agostinho Pascalicchio, professor de economia do Mackenzie, um dos motivos que garantem o otimismo do setor é a comparação com o ano anterior. "Em 2015, houve uma frustração das companhias por conta de números abaixo do esperado, o que ajuda a formar índices mais positivos agora", explica.

Com esta mesma tendência, a Ofner contratou cem pessoas para trabalhar em 2016. O número é o igual ao do ano anterior, mas a produção promete ser maior: 88 toneladas de chocolates, oito a mais que em 2015.


Para Nuno Fouto, professor de economia da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis) da USP, o cenário não deve ser de otimismo, mas sim de estimativas conservadoras. Segundo ele, "o único motivo que pode refletir números bons é o fato de algumas pessoas comerem mais chocolate como um derivativo de suas frustrações e nervosismo."