A notificação de mensagem nova chegou. Você abriu o WhatsApp e leu, mas não respondeu. Seu amigo não gostou, e depois de ver que a mensagem dele foi visualizada e ignorada, manda algo como "e aí, não vai dizer nada?". Conhece essa situação? E para você, quem está certo: o amigo queixoso ou o outro que não respondeu?

Os diversos recursos do aplicativo, incluindo o polêmico "check azul" que "acusa" se a mensagem foi lida, levam muita gente a incomodar ou ser incomodado pelos outros. Uma mensagem não respondida, um emoji mal interpretado, até uma sucessão de "bom dias"... tudo pode ser motivo de irritação. 

▬ OS PRÓS E CONTRAS DO "CHECK AZUL"

Mas as pessoas com manias no "zap" também têm lá seus motivos para agir assim. "Mando muitas mensagens ao meu marido, para saber se pagou contas, por exemplo. Vejo se visualizou e dou uma certa cobrada. Até brinco, dizendo 'você viu seus grupos mas não respondeu sua esposa?'", diz a analista de recursos humanos Idalina Dantas.

Sobre o check azul, ela argumenta: "Se você fala com um amigo de anos e ele não respondeu, no primeiro momento você se sente ignorada. Se a pessoa pede desculpas depois, é mais tranquilo".

Mas ela também faz seu 'mea culpa'. "Naqueles dias em que você está mais tranquilo e entediado, quer desabafar e falar sem parar como uma gralha, e a outra pessoa não tem tempo de responder, deve irritar, assim como já aconteceu comigo. Então sim, já devo ter irritado também".

Então, se o uso massivo do WhatsApp é uma realidade, e cada usuário tem seus próprios métodos de uso, como mediar tudo isso para não irritar ninguém?

Para a consultora de etiqueta Glória Kalil, que é adepta do "check azul", é mais adequado responder às conversas o mais rápido possível.

"Liguei para um amigo pedindo informações sobre uma peça e um dia depois sem resposta, liguei para ele. Falou que ainda ia se informar para me responder, mas ele podia ter dito isso. Não precisa dar uma resposta pronta logo, mas pelo menos uma satisfação", disse.

Sobre grupos e mensagens indesejadas de estranhos, Glória disse que a etiqueta fundamental é perguntar antes à pessoa se ela quer receber e fazer parte disso. "Até faço parte de um grupo que não me interessa, mas apenas deixo lá, não abro nada. Aliás, todos esses recursos e aplicativos são opcionais e servem para facilitar a comunicação. Se forem amolar, a opção é parar de usá-los", aconselha Glória.

A fonoaudióloga Cida Stier, que resolveu criar até um guia de comunicação e bons modos no WhatsApp acredita que é preciso saber lidar com a frustração.

"Se a tua resposta vai agilizar uma demanda urgente, é importante que seja respondida logo. E quem enviou precisa deixar claro a urgência também. Se não houver resposta, pode ligar. Mas isso em certas situações, como profissionais ou de saúde. Do contrário, a pessoa tem direito à privacidade".

Sobre maus hábitos, principalmente nos grupos, Cida crê que o aplicativo ajuda na reflexão de sua própria postura na comunicação. "É uma ferramenta maravilhosa, que minimiza a distância e o tempo, mas é preciso entender que não podemos invadir os limites das pessoas. É importante rever comportamentos para saber o que é inadequado. Vale sempre perguntar antes de enviar: 'preciso mandar essa mensagem? Vai contribuir para alguma coisa?".

▬ NOVOS NEURÓTICOS

Mas o WhatsApp não necessariamente criou novos neuróticos.

"Separamos o uso abusivo [do WhatsApp] no lazer e no trabalho do uso patológico. [Quem sofre no Whats] já tinha um transtorno pre-existente, sendo ansiosa, com pânico ou depressão. E claro, há a falta de educação digital também em alguns casos", explica Ana Lúcia King, psicóloga fundadora do Instituto Delete, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O instituto existe há quase quatro anos para orientar e informar a sociedade sobre o uso consciente das tecnologias.

Para a especialista, existem diferentes perfis de usuários do WhatsApp: "O que a gente percebe mais é o comportamento: quando é carente, insegura, narcisista. A gente consegue ver isso só pelas postagens", diz Ana Lúcia.

Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), também levanta outro fenômeno comportamental relativo ao uso não só do WhatsApp, mas da internet como um todo.

▬ GUIA DE ETIQUETA NO WHATSAPP

► Evite enviar áudios com mais de um minuto. Tente ser objetivo e grave no máximo dois áudios. É chato receber diversas notificações. O alerta de mensagens pode irritar;

► Se você ou a pessoa que receberá a mensagem estiver em um ambiente público ou barulhento, opte por mensagem em texto;

► Escreva corretamente. Domínio da escrita demonstra cuidado e respeito com quem recebe a mensagem;

► Ao enviar uma mensagem, não espere que ela seja respondida na hora. Se for urgente, ligue. Se não obtiver resposta, aguarde. Não mande áudio, mensagem ou pontos de interrogação cobrando;

► Reserve dois ou três horários durante o dia para verificar e responder as mensagens todas de uma vez, para melhorar a produtividade;

► Se usa o WhatsApp para trabalho, evite fotos de perfil inadequadas, como estar sem camisa ou com decotes sensuais;

► No Status do WhatsApp, troque a frase para uma mensagem que mostre o porquê você está no aplicativo ou sua situação atual (se está ocupado, por exemplo);

► Ao mandar uma mensagem a alguém pela primeira vez e não se conhecem pessoalmente, apresente-se (Olá, sou fulano de tal. Tenho seu contato por causa disso e preciso falar sobre aquilo);

► Evite enviar mensagens muito tarde. Em caso de assuntos profissionais procure, de preferência, tratá-los em horário comercial;

► Evite mandar várias palavras ou frases, em partes. Novamente, é provável que a sequência de ruídos das notificações não seja muito bem-vinda;

► Evite ao máximo abordar temas diferentes da temática do grupo. Tenha em mente o assunto ou motivo do grupo;

► Antes de adicionar pessoas a um grupo, consulte-as sobre o interesse em participar;

► Começar o dia com dezenas de "Bom dia", imagens e pensamentos podem ter efeito contrário. Se você gosta de enviar mensagens assim, observe a reação dos participantes. Evite mandá-las especialmente em grupos de trabalho;

► Não se exponha desnecessariamente: não mande correntes, teorias conspiratórias e não repasse informações que você não tenha certeza da veracidade;

► Envio de vídeos grandes ocupam memória desnecessária do smartphone e desperdiça transferência de dados. Prefira enviar um link;

► Atenção ao enviar as respostas para não enviar em um grupo formal uma mensagem completamente inadequada que estava endereçada ao grupo pessoal;

► Se você decidir sair de um grupo do WhatsApp, os outros membros receberão uma mensagem dizendo 'fulano de tal deixou o grupo'. Antes de sair, avise brevemente.


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